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O lixo e a economia circular

Você sabe para onde vai o lixo depois que sai de sua casa?

Pode ser que você pense que ao separar seu lixo reciclável do “orgânico”, já esteja fazendo sua parte. A maioria de nós foi (mal) educada a não pensar no ciclo dos produtos, a pensar que lixo é um problema público, do governo. Mas não é. Somos responsáveis por todos os resíduos que geramos. E o problema é grave.

 

Para começar a entender melhor você antes precisa saber a diferença entre resíduo e lixo.

Lixo é o material descartado que não pode mais ser reaproveitado, precisa ser encaminhado para um aterro sanitário. Resíduo, por sua vez, é o que ainda pode ser reaproveitado através de reutilização, reciclagem ou compostagem.

No perímetro urbano, os resíduos orgânicos, que são em sua maioria restos de alimento, representam hoje 52% do que é descartado em aterros no Brasil, sendo que poderiam ser compostados, retornando à natureza em forma de composto orgânico.

A situação é gravíssima no mundo inteiro: 1/3 dos alimentos produzidos vão parar no lixo!

Estima-se que só no Brasil 39 mil toneladas de alimentos sejam desperdiçadas todos os dias; são R$ 12 bilhões de desperdício anuais, que obviamente, se refletem nos preços dos produtos. O paradoxo é que daria para alimentar todas as pessoas que passam fome.

Além disso, toda essa problemática representa um gigantesco desperdício (de terras, água, energia e materiais) e um grave ônus ambiental gerado pela contaminação da água e do solo pelo chorume, e do ar pela geração de gases de efeito estufa, os GEE.

Pense, por exemplo, em uma alface que é jogada fora na feira porque já está murcha, além desse “produto” não ser vendido, dando prejuízo ao feirante, que comprou (ou plantou) e não vendeu, ela consumiu muita água pra ser produzida, deu trabalho para ser colhida, foi armazenada e transportada, gerando GEE.. E tudo isso vai pro ralo... E pior, há mais de 98% de chance desta alface ir parar em aterro sanitário, quando não vai parar em lixões. Péssimo à décima potência!!!!

Para quem não sabe, aterro sanitário é o depósito legalizado de lixo, o destino final para os resíduos sólidos gerados em residências, indústrias, hospitais, construções, entre outros. O aterro deveria receber somente o que não pode ser reciclado ou reaproveitado, mas a realidade é beeem diferente disso. O aterro sanitário tem uma vida útil determinada, normalmente de 10 anos. Depois disso, é área contaminada, interditada mesmo por muuuuitos anos. Ou seja, quanto mais descartamos resíduos que poderiam ter outra destinação, mais rápido ainda acaba a vida útil dos aterros. E isso também é muito grave, pois os nossos resíduos viajam (de caminhão a diesel) cada vez maiores distâncias. Na Baixada Santista, por exemplo, nem tem mais aterro. Imagine que todos os resíduos gerados por lá sobem a serra (sim, em caminhão a diesel) para serem descartados em aterro. Olha que insanidade.

Pior ainda os lixões, pois apesar de proibidos, ainda há muitos deles no Brasil. São depósitos de lixo irregulares, sem nenhum cuidado com a produção de GEE ou com a contaminação do lençol freático.

O conceito de economia circular mostra justamente a necessidade de mudarmos nosso padrão de consumo e descarte, de sairmos do modelo de economia linear, buscando imitar a natureza, através do ciclo contínuo de materiais e energia, com aproveitamento inteligente dos recursos. A economia circular é uma alternativa atraente que busca redefinir a noção de crescimento, com foco em benefícios para toda a sociedade.

O modelo linear econômico atual (‘extrair, transformar, descartar’) está atingindo seus limites físicos. Isto envolve dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos, e eliminar resíduos do sistema por princípio. Apoiada por uma transição para fontes de energia renovável, o modelo circular constrói capital econômico, natural e social e se baseia em três princípios:

  • Eliminar resíduos e poluição por princípio
  • Manter produtos e materiais em ciclos de uso
  • Regenerar sistemas naturais

Segundo a economia circular, lixo é um erro de design.

Resíduos não existem quando os componentes biológicos e técnicos de um produto são projetados com a intenção de permanecerem dentro de um ciclo de materiais, concebidos para desmontagem e ressignificação.

Os materiais biológicos não são tóxicos e podem ser simplesmente compostados. Materiais técnicos, como polímeros, ligas e outros materiais sintéticos são projetados para serem usados novamente com o mínimo de energia e maior retenção de qualidade (ao passo que a reciclagem, como normalmente entendida, resulta numa redução da qualidade e realimenta o processo com matéria prima bruta).

Portanto, a economia circular é praticamente a antítese da obsolescência programada, conceito de nome estranho mas ainda bem popular, praticado por empresas nos 4 cantos do mundo, como base dessa louca economia consumista que ainda domina nosso planeta (por enquanto!).

Se quiser saber mais sobre esse conceito, no qual eu como publicitária fui doutrinada e achava o máximo, vale a pena assistir o filme  “Obsolescência Programada - The Light Bulb Conspiracy”.

Trata-se de um documentário muitíssimo interessante sobre como começou esse conceito e porquê.

Está claro que a situação é gravíssima e que precisamos mudar nossos hábitos de consumo e descarte. A economia só pode se tornar totalmente circular, se nós, que somos sua base, estivermos envolvidos por este novo padrão de produção e consumo.

Mudança de hábito está longe de ser fácil, precisa muita determinação; vamos escorregar muitas vezes, mas a perseverança é fundamental para não desanimar. Algumas coisas parecem impossíveis e à medida que vamos melhorando nossos hábitos, ampliando nossa consciência ambiental, vamos vendo que a estrada é longa e que temos que assumir nossa parcela de responsabilidade nessa questão.

Para auxiliar a balizar novos hábitos, os 5 Rs da sustentabilidade se tornam as regras principais do consumo consciente. Vamos a eles:

Recusar - Quando você recusa produtos que prejudicam a saúde e o meio ambiente está contribuindo para um mundo mais limpo. Prefira produtos de empresas que tenham compromisso com o meio ambiente e sempre fique atento às datas de validade dos produtos. Recuse sacos plásticos e embalagens não recicláveis, aerosóis e lâmpadas incandescentes. Cada vez que você recusa algo, evita a produção de um novo similar.

Repensar (Refletir) - Será que o que você está comprando é algo de que realmente necessita? Será que às vezes você consome por impulso e acaba cometendo desperdício? Ao invés de comprar algo novo, você não poderia reaproveitar algo que já tem? Você compra um tênis, um computador, uma peça de roupa nova, mas o que você faz com os antigos? Você os reaproveita ou joga no lixo comum? Como você descarta o lixo na sua casa? Você separa embalagens, matéria orgânica e óleo de cozinha usado, jogando no lixo apenas o que não for reutilizável ou reciclável?

Reduzir - Consumir menos produtos, dando preferência aos que tenham maior durabilidade. Formas de reduzir são: adquirir refis de produtos; escolher produtos que tenham menos embalagens ou embalagens econômicas; dar prioridade às embalagens retornáveis; adquirir produtos a granel; ter sempre sua sacola de compras ao invés de utilizar as sacolinhas de plástico; usar a criatividade e fazer bijuterias, brinquedos e presentes personalizados utilizando materiais recicláveis; utilizar pilhas recarregáveis ao invés de pilhas alcalinas; utilizar lâmpadas econômicas, etc.

Reutilizar - Ao reutilizar, você estará ampliando a vida útil do produto, além de economizar na extração de matérias-primas virgens. Muitas pessoas criam produtos artesanais a partir de embalagens de vidro, papel, plástico, metal, cd’s, etc. Utilize os dois lados do papel e faça blocos de rascunho, pois, assim, você preserva muitas árvores.

Reciclar - Utilizar o resíduo de um produto como insumo para a produção de outro, evita a extração de matéria prima da natureza. Ao reciclar qualquer produto, evita-se mais consumo de água, energia e matéria-prima, além de gerar trabalho e renda para milhares de pessoas. Faça a coleta seletiva e contribua para um mundo mais sustentável.

A reciclagem tem sido muito questionada. Um conhecido meu do ramo de gestão de resíduos orgânicos, por exemplo, conversando sobre reciclagem me solta essa: “Será que reciclagem é enxugar gelo?”

É muito triste a gente constatar que definitivamente apenas reciclar não é mais solução, precisamos ir além.

Precisamos redesenhar o mundo de uma maneira circular. Tudo pode ser visto por um novo prisma!

Por fim, um filminho sobre a economia circular, que ilustra bem o que falamos aqui.